Após analisar cerca de 550 mil sites de e-commerce nacionais, estudo concluiu que 5,03% deles têm relação com o tema e pouco menos de 1/3 é voltado à venda de passagens e pacotes de viagem.

Se é verdade que megaeventos esportivos representam pontos fora da curva no setor de turismo em seus países-sede – como provou o último mundial de futebol, em 2014 -, o Brasil está a menos de 90 dias de mais um “boom”. E quem mais pode ganhar com os jogos no Rio de Janeiro (ou a partir deles) são os negócios turísticos via internet, mais precisamente os que são feitos através de dispositivos móveis, também chamados de mobile commerce.

É o que se depreende do estudo “Perfil do E-commerce de Turismo”, tabulado pela BigData Corp. sob encomenda do PayPal Brasil. A companhia visitou mais de 10,5 milhões de sites no País, processando 4,5 petabytes de informação, e concluiu que 0,61% deles são voltados a turismo. Destes, 29,35% são de e-commerce de turismo – que representam, por sua vez, 5,03% do total de sites de e-commerce no País. Outros 17,34% são corporativos (sites institucionais de empresas de turismo) e 11,94%, blogs mantidos por viajantes (profissionais ou amadores).

No universo do e-commerce turístico nacional, os hotéis representam 20,06% das lojas online; agências de viagens são 12,48%; portais que vendem passagens somam 7,16%; e sites de seguros são 1,23%. O restante, cerca de 59%, vendem produtos turísticos específicos, como tours, passeios etc.

Oportunidade em vista

  • Os dados da Big Data Corp. explicitam que ainda há um mercado imenso em perspectiva para ser desbravado no setor do turismo brasileiro. Em 2014, até por causa do mundial de futebol, o País recebeu 6,4 milhões de turistas, segundo o Anuário Estatístico de Turismo. A líder mundial, França, no mesmo ano, recebeu mais de 85 milhões. Ou seja, há muito espaço para que o turismo cresça – e o e-commerce pode ser um grande aliado para esse crescimento.
  • O tíquete médio do turismo online? Cerca de 73,5% dos clientes adquirem produtos e serviços com preço menor que R$ 100; 11,15%, entre R$ 100 e R$ 500; outros 4,21%, entre R$ 500 e R$ 1.000; e 11,10% gastam mais de R$ 1.000 nas lojas virtuais.
  • De acordo com o estudo da BigData Corp., a distribuição geográfica desses e-commerces de turismo pelo País é centralizada em São Paulo, que hospeda 44,58% dos sites. Os chamados micropolos (17 estados mais o DF) representam 11,76% e aparecem na segunda colocação; o Rio vem em terceiro, com 10,76%; seguido por Minas Gerais, com 7,13%.

Segurança e formas de pagamento

  • Quando o estudo se debruça sobre o nível de segurança dos sites de e-commerce de turismo, uma informação chama a atenção: apenas 61,46% das lojas online contam com tecnologia SSL (Secure Socket Layer) – contra 73,85% do e-commerce nacional, segundo pesquisa PayPal/Big Data divulgada em março deste ano.
  • Este é um fator que deve ser preocupação principal dos e-commerces de turismo se quiserem realmente ganhar mais mercados. De acordo com estudo Ipsos/PayPal lançado no final do ano passado, a principal preocupação dos consumidores (mais de 51%), ao comprarem online em sites estrangeiros, é com a segurança.
  • Com o aumento do uso da Internet para a realização de transações financeiras, tornou-se imprescindível a criação de meios que protejam vendedor e comprador. Quando o tema é segurança das transações, as formas de pagamento disponibilizadas pelo e-commerce passam a ter representatividade clara. Além de incrementarem a segurança das compras, conferem facilidade de pagamento e praticidade a vendedores e compradores.
  • Outro ponto interessante destacado pela pesquisa Big Data é que somente 12,73% dos e-commerces de turismo no Brasil têm algum serviço de pagamento online. Mais de 87% trabalham com boletos, depósitos em conta ou cartão de crédito/débito direto (via um gateway ou algum sistema TEF), sem passar por um intermediador.

E-commerce e M-commerce

  • Os e-commerces de turismo considerados pequenos (que recebem até 10 mil visitantes por mês) são 98,07% do mercado; já os médios (entre 10 mil e 500 mil visitantes/mês) são 1,81%; e os grandes sites (com mais de 500 mil visitantes por mês) representam mero 0,12% do total.
  • Do total de sites de e-commerce de turismo, somente 13,5% são responsivos (ou seja, têm design que se adapta, automaticamente, ao dispositivo do usuário, seja ele um desktop, notebook, tablet ou smartphone). E 4,32% contam com app próprio, índice bem maior do que o 0,27% registrado no e-commerce brasileiro como um todo. De qualquer forma, os números são ainda pequenos e precisam crescer para que o setor possa gerar mais negócios, já que o Google, por exemplo, só mostra nas primeiras páginas de suas buscas os sites já adaptados para as telas de smartphone. E, daqui para a frente, as compras serão, cada vez mais, feitas por meio de dispositivos móveis.

Citações

“Existe um potencial imenso no Brasil quando falamos sobre turismo. Acreditamos que a tecnologia online, principalmente o m-commerce, pode ajudar muito a turbinar esse potencial. E o PayPal vem contribuindo com o desenvolvimento do turismo no País por meio de parcerias com empresas do setor”

Paula Paschoal, diretora Comercial do PayPal Brasil, fazendo alusão ao fato de que, enquanto o País recebeu 6,4 milhões de turistas em 2014, com ajuda do mundial de futebol, a França recebeu, no mesmo ano, mais de 85 milhões de visitantes.

“A pesquisa nos surpreendeu, porque não imaginávamos que houvesse tão poucos sites de e-commerce de turismo no País. Ou seja, há muito espaço para crescer e muitas oportunidades de negócio no mundo virtual para esse mercado”

Thoran Rodrigues, CEO da BigData Corp.